quinta-feira, julho 30, 2009

Malha de centeio reaviva memórias (ver vídeo)

Malhar o centeio já não é coisa que se faça “amiúde” nos dias que correm até porque tendo em conta as novas tecnologias, os velhos artefactos já pouco contam. Uns, viram peça de museu, outros caiem no esquecimento e por vezes a memória nem sempre se mostra à altura de os “recuperar” para a actualidade. Por isso, levar a cabo uma malha de centeio em meados de 2009 resulta não só como um acto de celebração de uma prática de outros tempos mas também, e sobretudo, como uma forma de preservar costumes e tradições e acima de tudo avivar memórias.

Foi o que aconteceu no Centro Pastoral e Paroquial de Cense, em Vila das Aves, no sábado passado. Promovida pela Associação de S. Miguel Arcanjo, a malha de centeio ali realizada, para além de sublinhar o espírito comunitário das gentes daquele local, juntou-as neste reavivar de um tradição a que se dispuseram um grupo de homens, e os seus respectivos malhos. E diga-se, em abono da verdade, malhar o centeio não é “coisa para iniciados”, pois exige força, perícia e concentração.

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Conta o presidente da Associação de S. Miguel Arcanjo, José Maria Monteiro, que, com algum custo, lá se arranjaram umas duas dezenas de malhos. A tarefa não foi fácil e obrigou mesmo a que se fizessem alguns malhos para a ocasião, pois segundo o mesmo responsável, já poucos os preservam. E a memória dos que participaram nesta iniciativa, conhecedores desta tradição, também fraquejou na hora de descrever este objecto que, à vista desarmada parece se reduzir a dois simples paus de madeira.

O malho é antes um utensílio constituído por duas peças principais: a mangueira e o pírtigo. A mangueira é feita de madeira que tem de ser ao mesmo tempo rígida mas de fácil moldagem e tem, em geral, a altura do malhador; o pírtigo é feito de madeira de carvalho, por exemplo, e é consideravelmente mais pequeno que a primeira. Estas duas peças são ligadas pela casula, feita de pele e engenhosamente concebida, de forma a parecer-se como uma dobradiça. A junção das duas peças do malho é feita de forma a permitir ao malhador manobrar a mangueira, na ponta da qual equilibrava o pírtigo, com um mínimo de esforço pelo balanço que a prática lhe confere.

Na malha de centeio organizada pela Associação de S. Miguel em colaboração com o Centro Pastoral de Cense, alguns malhos não resistiram ao balanço, mas tal não estragou a festa nem os propósitos da mesma: por um lado, reavivar memórias, por outro ajudar na angariação de verbas para as festas em honra do padroeiro de Vila das Aves através dos comes e bebes servidos na ocasião.

1 comentário:

Fábio Guedes disse...

http://escolhacertasantotirso.blogspot.com/2009/07/valente-parte-ii.html